12 de setembro de 2007

O 13º Guerreiro e os Manuscritos de Ahmad ibn Fadlan

Isso seria assunto para o meu blog de História e Arqueologia. Mas como eu ainda não me decidi se vou criá-lo ou não, vai aqui mesmo...rs

Já que falei anteriormente no Vladimir Kulich em O 13º Guerreiro ai vai um pouquinho da história por trás do filme [e do livro de Michael Crichton]. A produção é quase uma adaptação do clássico Beowulf. Isso é sempre comentado. Então não vou falar nele. Vocês encontram fácil na internet. O que é pouco falado é o personagem de Antonio Banderas: Ahmad ibn Fadlan, ou 'Eban' como os nórdicos o chamam na película...rs

Pois bem, esse cara realmente existiu. Fiquei sabendo de sua existência quando fiz uma pesquisa ainda na faculdade [e lá se vão mais de 10 anos portanto desculpem a superficialidade do texto. É só para dar um apanhado geral mesmo]. Ahmad ibn Fadlan foi um escritor árabe do Século X que registrou em seu Risāla suas 'aventuras' em terras 'russas' [Bulgária do Volga] a mando do califa Al-Muqtadir de Bagdá. Entre outras coisas, Ibn escreveu sobre os Rus [daí vem o nome Rūsiyyah - Rússia ou Russland - Terra dos Rus] ou Varegues. Eram povos escandinavos oriundos da Suécia e Dinamarca. Esse caras criaram rotas de comércio [entre outras coisas, de escravos] até os califados árabes e Constantinopla. E pelo caminho iam saqueando tudo que aparecia pela frente. Seu encontro com os Rus teria se dado onde hoje é o Tartaristão [lembram no começo do longa o cara gritando - os tártaros estão chegando? É por isso.] Fadlan relatou os 'estranhos' costumes e hábitos dos escandinavos. Reclamou muito da 'higiene' deles. Na verdade, disse que 'eles eram as criaturas mais repugnantes que Deus havia criado' pois não tomavam banho depois de ter relações sexuais nem depois de comerem. Além de se lavarem de manhã todos em uma única tina [isso aparece no filme]. Coisas imperdoáveis para um árabe muçulmano. Reclamou também do cheiro insuportável de fezes e urina nas ruas já que não haviam banheiros e se faziam essas coisa na rua mesmo. Mas também se admirou com o fato que penteavam os cabelos todos os dias. Estranhou que as mulheres andassem com um seio a mostra. Comentou as armas que usavam [os homens usavam machados e facas], As tatuagens [no corpo todo] também o impressionaram. Fez uma rica descrição dos nórdicos dizendo entre outras coisas que eram loiros ou ruivos, rosados, 'belos' [ele fala algo como 'forma física perfeita'] e altos como 'palmeiras'...rs

Fadlan descreveu em detalhes um enterro de um chefe viking que testemunhou [isso também aparece no filme], onde seu corpo foi cremado em um navio com seus pertences [na verdade, 1/3 deles] e, como de costume durante certo tempo, uma garota [quase sempre virgens ou esposas, embora pajens também pudessem entrar na dança] o acompanhou em sua 'jornada'. A jovem era consumida pelas chamas. Viva, é claro.

Ah... Para quem gosta de coisas mais 'fantásticas', Fadlan também relata ter passado por locais onde unicórnios eram caçados! Ele diz ter visto potes feitos com os chifres dos bichinhos. Vai saber o que mostraram para ele...rs

Por tudo isso os manuscritos de Ahmad ibn Fadlan são de valor histórico inestimável. Anos atrás os encontrei na net. Não sei se ainda estão disponíveis. Vou procurar. :)

The 13th Warrior é um dos meus filmes favoritos. Não chega a ser uma 'aula' de história, mas é um belo começo para quem quer se aprofundar nos aspectos da cultura nórdica. Contém uma bela mensagem e é uma boa aventura. Temos um 'Thor' de respeito [dahhh!], Banderas [excelente] e uma belíssima trilha sonora composta pelo saudoso Jerry Goldsmith. A trilha do filme foi aproveitada também em Cruzada [Kingdom of Heaven] de Ridley Scott.

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Clip Homenagem a Vladimir Kulich em O 13º Guerreiro.
Trilha Sonora de O Último dos Moicanos
[outro filmão!]

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A memorável sequência wagneriana final de 13th Warrior.
Atenção: Só assista se você já viu o filme.
Big Spoilers!!!

Ah, uma queixa! Gente, as legendas nos DVDs estão cada vez piores. Em O 13º Guerreiro conseguiram acabar com uma das melhores piadas do filme [Não é o 'cavalo sabe saltar', mas 'o cachorro sabe saltar'] Mas isso ainda foi o de menos comparado com o que viria depois. Acabaram com a oração também! Simplesmente traduziram 'lo!' como 'abaixo' [low]! 'lo!' é uma expressão arcaica e significa 'Comtemple! Veja! Olhe!' Lamentável para dizer o mínimo. Conseguiram tirar o meu gosto de assistir o filme. Melhor assistir sem legendas. Essa oração é a alma do roteiro. A do 'Eban' também é linda. As duas mostram bem a diferença no modo de pensar entre as duas culturas.

Eis a original.
"Lo' there do I see my father! Lo' there do I see my mother, my sisters and my brothers! Lo' there do i see the line of my people back to the beginning! Lo' they do call to me! They bid me to take my place amoung them in the halls of Valhalla! Where the brave they live forever!"

E essa é uma tradução da oração
que tomei a liberdade de fazer. Conselho: Esqueçam a que está no DVD!

"Eis que vejo meu pai! Eis que vejo minha mãe, minhas irmãs e meus irmãos! Eis que vejo a linhagem da minha família desde o início. Eis que eles me chamam! Me convidam para tomar meu lugar entre eles nos salões do Valhalla! Onde o bravo vive para sempre!"


5 comentários:

  1. eu meio que tava com receio quando aluguei este filme, pela simple presença do Banderas
    achei que seria mais um blockbuster americano pra ver e meio que esquecer...
    A sorte é que o Banderas é quase um coadjuvante, sendo o "THOR" o quase principal
    mas o que me impressionou mais foi a retração da cultura nórdica de uma maneira mais crivel, menos florida,
    algo que não é tão comum em filmes anunciados com aventura de epoca
    Falando em Vikings, vc já leu ou tem algo chamado "Dark Kingdom" era preto e branco e tinha como tema as lendas Viking


    Esta música do violino me lembrou uma Tex gigante de titulo "A Ultima Fronteira"
    que é quase uma versão do "Ultimo dos Moicanos", lendo ela dá quase pra imaginar a musica tocando no fundo

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  2. Simplesmente, a oração e a alma desse filme. assisti o 13° Guerrero tres vezes na tv e todas as vezes sempre me impressionou. A forma como o chefe dos guerreiros a recita no final me da calafrios. Me senti dentro do filme.

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  3. meu amigos nas últimas cenas desse filme quando Ahmad ibn Fadlan se ajoelha para fazer uma "oração" antes da batalha! acho fantástica! coloca aqui!

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  4. Simplesmente, a oração e a alma desse filme. assisti o 13° Guerrero tres vezes na tv e todas as vezes sempre me impressionou. A forma como o chefe dos guerreiros a recita no final me da calafrios. Me senti dentro do filme.

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  5. Parabéns, fernanda! gostei muito de sua história. Foi muito proveitosa; assisto esse filme sempre e nunca me conso.uma das coisas que mais gosto é a lealdade entre eles.

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