15 de janeiro de 2009

Adeus a Ricardo Montalban


Eu já estava de luto pelo falecimento do Patrick McGoohan, e no dia seguinte fiquei sabendo dessa...

Ricardo Montalban já era galã de cinema, chamado latin lover, quando estrelou sua primeira série de TV após anos de participações especiais. "A Ilha da Fantasia/Fantasy Island" surgiu na leva de produções do final dos anos 70 que tinham como objetivo suavizar a linguagem e as temáticas perigosamente realistas que começaram a surgir nos anos 60 e ganharam força no início dos anos 70. Após muitas críticas e censuras, a TV se viu obrigada a exibir séries com temáticas mais suaves e fantasiosas. Então, nada mais fantasia que uma ilha onde qualquer pessoa pode realizar seus desejos mais íntimos. E que melhor anfitrião que Ricardo Montalban, vulgo Sr. Roarke, com seu sorriso confiante, mas olhar penetrante, que parecia saber de tudo sobre todos?

O ator faleceu na manhã desta quarta,dia 14, aos 88 anos. Segundo membros de sua família, a causa morte está relacionada à idade avançada. O ator sofria há anos de problemas na coluna que o deixaram preso a uma cadeira de rodas.
Nascido Ricardo Gonzalo Pedro Montalban y Merino em 25 de novembro de 1920, no México, Montalban era o mais novo de quatro filhos de um casal de origem castelhana que migrou para aquele país em 1906. Ricardo chegou aos EUA ainda jovem, para viver com o irmão, Carlos, que já morava lá e tinha conseguido trabalho nos estúdios de Hollywood. Tendo chamado a atenção de um caça-talentos da MGM, Ricardo foi convidado para fazer testes para se tornar ator de cinema, mas temendo pelo irmão em meio ao ambiente dos estúdios, Carlos o aconselhou a esquecer o cinema e o levou a Nova York. Mas o cinema não ficaria sem Ricardo. Logo ele começou a atuar em curtas metragens e peças de teatro.
Ricardo voltou ao México quando sua mãe adoeceu. Neste período, passou a fazer alguns trabalhos em seu país de origem, entre eles uma paródia de "Os Três Mosqueteiros", estrelada pelo comediante Cantinflas. Foi nesta época que ele conheceria sua futura esposa, na época modelo, Georgiana Belzer, irmã da atriz Loretta Young. Ambos casaram-se em 1944 e tiveram três filhos: Victor, Laura e Anita.
Decidido a viver no México, mudou de idéia quando a MGM (seu destino era Hollywood e os musicais da MGM), o convidou a participar do filme "Fiesta", ao lado de Esther Williams que seria filmado no México. Sua participação no filme o levou a assinar um contrato de oito anos com o estúdio tornando-se, ao lado de Fernando Lamas, em um dos mais famosos "latin lovers" dos anos 40 e 50.
Ricardo chegou à televisão na metade dos anos 50, participando de teleteatros e séries. Foram centenas delas, listarei algumas: "A Caravana", "Alfred Hitchcock Apresenta", "Bonanza", "Os Intocáveis", "Cem Homens Marcados", "Ben Casey", "O Maior Espetáculo da Terra", "Os Defensores", "A Lei de Burke", "Dr. Kildare", "O Agente da UNCLE", "Combate", "Daniel Boone", "James West", "Missão: Impossível", "Os Destemidos", "O Rei dos Ladrões", "Dan August", "Gunsmoke", "O Homem de Virgínia", "Havaí 5-0", "Switch", "Columbo", "Os Novos Centuriões", "Assassinato Por Escrito", "Chicago Hope", entre outros.
Na década de 60, participou de um episódio de "Jornada nas Estrelas", interpretando Khan Noonien Singh, um homem congelado que atravessa dezenas de anos para acordar no século XXIII. O personagem voltaria para se tornar o vilão de "Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan", filme responsável em alterar o rumo das vendas de produções em VHS. Ao lançar este filme em VHS, a Paramount baixou o preço que vinha sendo cobrado até então, de 79,95 dólares para 39,95 dólares. O filme vendeu mais de 100 mil cópias, promovendo uma corrida dos outros estúdios para reajustar os valores de suas produções em VHS, dando início, de fato, ao mercado de home video em 1982.
Entre 1978 e 1984, Ricardo estrelou a série "A Ilha da Fantasia", que mais tarde ganharia um remake mal sucedido com Malcolm McDowell. Entre 1985 e 1987 integrou o elenco da novela noturna "The Colbys", spin-off de "Dinastia", estrelada por Charlton Heston e que também contou com a presença de Barbara Stanwyck. Entre 1995 e 1996 dublou o personagem Gutierrez no desenho "Freakazoid". Tentou voltar ao mundo das séries estrelando, ao lado de John Schneider e Melinda Clarke, a série "Heaven Help Us", mas sem sucesso. Nesta produção, o ator já utilizava cadeira de rodas devido a seu problema na coluna.
Seu problema iniciou em 1951 durante as filmagens de "Across the Wilde Missouri", quando caiu de um cavalo e foi pisoteado por outro. Desde então passou a ter problemas na coluna que se agravou com a idade. Em 1993 ele foi submetido a uma cirurgia, mas ela apenas piorou sua situação. Desde então, passou a utilizar cadeira de rodas.
Em 1980, Ricardo publicou sua autobriografia em parceria com Bob Thomas, "Reflections: A Life in Two Worlds". Em 2007, ele perdeu sua esposa, Georgiana, que morreu aos 84 anos. Os dois viveram juntos por 63 anos.

Tiro meu chapéu para o melhor vilão que Jornada nas Estrelas já teve.
(agradeço ao TV \Series, pelo texto biográfico)

14 de janeiro de 2009


Morre Patrick McGoohan, ator e criador da série 'O Prisioneiro'

O ator Patrick McGoohan, que ficou famoso na década de 60 com a série de televisão britânica Agent Secret, que inspirou a música de Bob Dylan, e se tornou um personagem cult como o 'Número Seis' da série O Prisioneiro, morreu em Los Angeles aos 80 anos, informou seu agente, o ator Shrif Ali. Apesar da série O Prisioneiro ter durado apenas 17 episódios, conquistou fãs entre telespectadores de todo o mundo, já que foi exibida em 61 países, inclusive o Brasil. McGoohan era, naquele tempo, um dos atores mais bem pagos da televisão.
McGoohan morreu na terça, 13, após uma breve enfermidade, disse o produtor de cinema Cleve Landsberg. Ele ganhou dois prêmios Emmy por sua participação na série dramática Columbo, de Peter Falk, e mais recentemente apareceu como o rei Edward Longshanks no filme de 1995 de Mel Gibson Coração Valente.
Mas seu papel mais famoso foi mesmo o de 'Número Seis' em O Prisioneiro, uma série britânica que combinava o gênero policial com ficção científica, em que um ex-espião era mantido prisioneiro em um local conhecido como A Vila, um povoado de nome genérico, onde uma misteriosa autoridade chamada Número Um, que ninguém jamais via, impedia constantemente que ele escapasse.
O personagem era submetido a uma série de experiências singulares e psicológicas, como um complicado jogo de xadrez mental, até o episódio final, onde a surpresa se multiplicava e em vez de uma resposta fácil, propunha uma questão ainda mais complicada.
McGoohan propôs a idéia, escreveu e dirigiu vários episódios da série, que durante décadas teve aficcionados nos Estados Unidos e Europa. Sua criação "deixou uma marca indelével nos gêneros de ficção científica, fantasia e suspense, ao criar um dos personagems mais icônicos de todos os tempos", disse AMC em um declaração nesta quarta, 15. A rede de televisão anunciou a exibição dos episódios este ano, como uma "homenagem ao seu legado".

Nascido em Nova York, em 19 de marco de 1928, McGoohan se criou na Inglaterra e Irlanda, para onde sua familia se mudou pouco depois de seu nascimento. Trabalhou em teatro antes de ingressar na televisão e ganhou um prêmio dos Críticos de Drama de Londres como protagonista da obra de Henrik Ibsen Brand. Casou-se com a atriz de teatro Joan Drummond en 1951. Sua filha mais velha, Catherine, tambiém é atriz.

Seu primeiro trabalho na TV foi em 1969 na série Danger Man, um programa de espiões mais tradicional que inicialmente durou apenas uma temporada. Cansado de interpretar o personagem principal de John Drake, apresentou aos produtores a surrealista e cerebral série O Prisioneiro como um papel para ele mesmo. A série foi transmitida em curta temporada em 1967, mas seu impacto cultural permanece. McGoohan deixa sua esposa e três filhas.