Ronnie James Dio: o dia em que o heavy metal morreu

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(Publicado originalmente no Collector's Room)

A morte de Ronnie James Dio pegou todo mundo que gosta de hard rock e heavy metal de surpresa. É claro que a gente sabia que o mítico vocalista, figura fundamental na história do som pesado, lutava contra um câncer de estômago desde novembro de 2009, mas ninguém imaginava que ele fosse perder essa batalha. Infelizmente, isso aconteceu.

Todos os veículos estão tratando a morte de Dio como a morte de um gênio da música – e isso é verdade. Ronald James Padavona foi uma das maiores vozes do heavy metal, e transformou-se em ícone do estilo. Seu timbre era único, poderoso, agradável, transmitindo com exatidão todos os sentimentos que suas letras, repletas de figuras mitológicas e batalha históricas, faziam surgir diante de nossos olhos.
A carreira de Dio se confunde com a trajetória e a consolidação do heavy metal como gênero musical. Sua passagem pelo Rainbow rendeu discos emblemáticos, sendo que um deles – Rising, de 1976 – é um dos álbuns mais influentes da história do som pesado, responsável direto pela sonoridade seguida por boa parta das bandas surgidas durante a década de oitenta.

Sua entrada no Black Sabbath, além de provar que era possível substituir um vocalista tão emblemático quanto Ozzy Osbourne, renovou o som da mais importante banda de metal de todos os tempos. O álbum Heaven and Hell, de 1980, encara sem medo qualquer disco gravado na fase clássica do grupo, ainda com Ozzy, e é um disco fundamental em qualquer coleção que se preze.

Mas ser uma figura de importância fundamental para dois dos maiores grupos da história do heavy metal não era o sufuciente para Dio. Ele queria mais. Em 1983 chegou às lojas Holy Diver, disco de estreia de sua própria banda, batizada apenas como Dio. O álbum foi muito recebido, e colocou os holofotes, de forma definitiva, sobre o nosso herói. Holy Diver não é apenas um dos melhores trabalhos lançados durante os anos oitenta, mas sim um dos grandes discos da história do som pesado.
E, para fechar com chave de ouro sua jornada, Ronnie James Dio aceitou o desafio e topou tocar novamente com Tony Iommi, Geezer Butler e Vinnie Appice no Heaven and Hell, saciando o apetite de milhões de fãs do Black Sabbath espalhados - e famintos - pelo mundo. The Devil You Know, lançado em 2009, mostra que o quarteto envelheceu como o vinho, mantendo sua qualidade mesmo com a passagem do tempo.

Falar da importância e da influência de Dio para a música é desnecessário. Qualquer pessoa que consome hard rock e heavy metal já ouviu seus discos e sabe que ele foi o responsável por divulgar e popularizar o principal símbolo do estilo, a mão em forma de chifrinhos.

O heavy metal é relativamente recente. Foi de 1970 pra cá que o gênero se desenvolveu e se consolidou, gerando seus ícones, clássicos e clichês. Tudo que é considerado “clássico” hoje em dia surgiu nas décadas de setenta e oitenta. As figuras mais emblemáticas do estilo estão envelhecendo. Personagens que cresceram ao nosso lado estão hoje com 50, 60 anos. O que isso quer dizer? Quer dizer que a morte de Dio demonstra que mesmo os deuses da música não são imortais. É claro que a obra de um artista com a envergadura de Ronnie James Dio permanecerá viva por muitos e muitos anos, mas dá medo imaginar o que virá pela frente. Não imagino a minha vida sem o Metallica, assim como não consigo conceber o mundo sem Bruce Dickinson. Meus dias seriam mais tristes sem a companhia de Paul McCartney, e incompletos sem a genialidade de Jimmy Page. Infelizmente, estou começando a perceber que, ao contrário do que eu pensava, meus heróis não são imortais, e um dia terei que aprender a viver sem eles.

Vá em paz meu brother Ronnie. Siga o seu caminho com a mesma força e energia que sempre nos contagiou. Estaremos sempre ao seu lado, e certamente nos encontraremos no futuro.

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