Elton John abre turnê brasileira nesta quarta-feira em São Paulo

"Piano e rock? Não dá certo, essas coisas não combinam. O cara toca sentado! Não existe um pianista 'cool' no rock inglês. Exceto Elton John, é claro!"

Desta vez, Elton John vai encontrar sua plateia verdadeira

Se estivesse nesta quarta-feira (27) em São Paulo, o autor da declaração, o falastrão Noel Gallagher (ex-Oasis), certamente iria às 20h30 ao Jockey Club, onde Elton John abre turnê brasileira que irá a quatro cidades.

Aos 65 anos, o cantor inglês vem tocar no Brasil pela quarta vez. Fez curtas excursões em 1995 e 2009 e foi uma das atrações da noite de abertura do Rock in Rio de 2011.

Joel Ryan/Associated Press
O músico Elton John, que abre turnê brasileira nesta quarta-feira
O músico Elton John, que abre turnê brasileira nesta quarta-feira

Antes dessas visitas, ele esteve no Rio em 1978, mas a passeio. Curtiu (muito) o Carnaval com dois colegas roqueiros ilustres: Rod Stewart e Peter Frampton. Os três estavam então no auge da popularidade mundial e no ápice da voragem sexual.

O Elton que volta ao Brasil é diferente. Tranquilo, casado com o cineasta canadense David Furnish, às vezes viaja com dois filhos, frutos de sigilosas inseminações artificiais e barrigas de aluguel.

Mas a energia economizada com a vida pessoal caseira é canalizada para as duas horas e meia de duração previstas para o show de hoje.

Elton cumpre agora a turnê comemorativa dos 40 anos da música "Rocket Man", do álbum "Honky Château", lançado em 19 de maio de 1972. Tornou-se o primeiro sucesso mundial de sua carreira.

Pelos cinco anos seguintes, ele foi o maior vendedor de discos no planeta, enfileirando hits como "Crocodile Rock", "Saturday Night's Alright for Fighting", "Goodbye Yellow Brick Road" e "Philadelphia Freedom".

O segredo do sucesso de Elton John tem alguns componentes claros. Um deles é o ataque feroz ao piano, indo de passagens suaves a trechos furiosos.

Editoria de Arte/Folhapress

FIEL AO PIANO

Ao contrário de outros tecladistas da mesma geração, como Keith Emerson (Emerson, Lake & Palmer), Jon Lord (Deep Purple) e Rick Wakeman (Yes), Elton não foi seduzido pelos sintetizadores. Sempre foi fiel ao piano.

Editoria de Arte/Folhapress

O que outros conseguiam com efeitos eletrônicos, Elton alcançava com seu domínio espantoso de harmonia, capaz de criar melodias assobiáveis em profusão. É como se John Lennon e Paul McCartney tivessem priorizado piano no lugar de guitarra.

Por fim, a combinação perfeita com Bernie Taupin, que escreve versos cantados por Elton desde seu primeiro disco, "Empty Sky", de 1969.

A música produzida por ele nos anos 1970 foi responsável pela maior fatia de cerca de 450 milhões de discos vendidos em sua carreira, contabilizando álbuns e singles.

Embora seu ritmo de gravações na década seguinte não tenha diminuído, o consumo de álcool e cocaína ofuscou o brilho do compositor. Os discos são fracos, com um grande hit aqui ou ali.

Desintoxicado, emprestou em 1994 seu talento à produção da trilha sonora do filme "Rei Leão" e liderou os mais vendidos pela última vez.

Nos últimos anos, se dedica a discos mais suaves, de baladas. E, ainda bem, a shows explosivos como deve ser o de hoje à noite, diante de 15 mil paulistanos.




Enviado via iPad

Comentários

Postagens mais visitadas