(Imagem da Internet)

Saudosismo no ar! 

Esse rádio gravador foi o primeiro do meu irmão. E quem o comprou fui eu e minha mãe no seu aniversário lá nos idos de 1983.

O baixinho tinha um nome pomposo: Rádio gravador CCE Collaro CR 210S Solid State Cassette Radio Recorder. Ufa! 

Do tempo em que a CCE era ainda parceira da Kenwood.
Esse baixinho foi dos últimos modelos da época de ouro da marca. Era guerreiro. 

Resistente que só!
Quase indestrutível.
E gravava bem. Melhor que muito System. E isso foi atestado quando meu irmão levava fitas para as casas de colegas e perguntam, admirados, em que system tinham sido gravadas.

Meu irmão usava para gravar, principalmente de uma única radio: A Rádio Rock Ipanema FM.

Foi uma época fantástica! A Ipanema tocava o que nenhuma rádio tocava. 

Havia um programa especializado para Hard Rock e Metal chamando Central Rock apresentado pelo saudoso Ricardo Barão aos sábados a noite.

Meu irmão, mais velho que eu, ouvia o programa atentamente e gravava o que achava interessante. E na manhã seguinte me mostrava.

E assim conheci a banda que mudou a minha vida na adolescência: O Iron Maiden

Mas essa é outra história... 

Eu adoro a tecnologia e as maravilhas que temos hoje mas confesso que sinto saudades dessas coisas. Porque havia o elemento o social e humano envolvido. E havia histórias! Muitas histórias! Algumas bem malucas. 

Hoje sua relação com a música não passa nem sequer por um radialista. É direta com o Spotify. É uma "transa" (como se dizia na época) muito pessoal. 

Existia o Jabá? A velha prática de pagar aos radialistas para tocarem a exaustão uma canção? Sim. Existia. 

Mas também existia um pessoal amalucado como a Katia Suman ou o Barão que colocavam para rolar meio o que dava na "telha". Barão trazia bandas que ninguém jamais tinha ouvido e até bootlegs de bandas japonesas. Foi responsável também por impulsionar o cenário Metal no RS através do álbum Rock Garagem

Mas essa também é outra história... 

Havia uma troca. Uma relação de confiança entre radialistas e ouvintes que era muito legal. E que era sincera. Diferente de outras rádios mais comerciais. 

Além dos muitos shows que a Rádio promovia e até transmitia. Ainda tenho uma K7 com a transmissão do primeiro show do Faith No More. 

Foram mais de 10 anos de muito Rock. Mas também de muita Cultura. 

A nossa memória está intimamente ligada a nossas emoções. O que não provoca emoções, em especial, as de prazer, não permanece. 

Hoje um Spotify oferece lazer, entretenimento momentâneo... Mas a informação se perde. Não há capa dos discos, não há informações, não há imagens e nem um especialista para lhe falar um pouco sobre aqueles "caras". 

Essas coisas fazem falta. 

Bons tempos!