Era uma vez a América...

'Roubado' da revistaparadoxo.com. Só uma perguntinha...hããã.... gados dão em árvores?
Leiam o texto que vocês vão entender a piada.

Em tempos de presidente odiado e american way muito mudado, a morte do Capitão América vem para encerrar uma era

por Anderson Costa
[13/03/2007]

Sim, a morte enfim chegou para o Capitão América. A grande figura americana dos quadrinhos da Marvel Comics bateu as botas na edição nº 25 [nos EUA. Não saiu ainda no Brasil]. Para situar quem não entendeu: o Capitão morreu logo depois da saga Civil War, que durou mais de 100 edições de gibis, entre 2006 e 2007. Nela, um acidente catastrófico foi causado em uma briga entre heróis e vilões, em que morreram milhares de pessoas.

Nascido em 4 de julho, o Capitão América foi criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby. Era um espelho do então invejado american way of life misturado com a determinação americana em derrotar os inimigos nazistas. Nos anos 1950, ele se voltou contra o comunismo. Nos anos 1970, contra a desilusão frente à derrota no Vietnã. Hoje, na saga Civil War, é um renegado que luta contra uma lei definida pelo senado americano.

Querendo ou não, o Capitão América representa ideais dos EUA de décadas passadas, quando o sonho americano era conduzido por famílias patriotas e conservadoras do interior, cujas ambições eram cuidar bem da família e preservar suas plantações de gado. Hoje, o sonho americano é ser um yuppie bem sucedido, ter seu iPod e vencer num mundo corporativo onde cobra engole cobra.

Aliás, em uma das histórias desta última saga [precisamente em Frontline nº 11], o Capitão é confrontado com isso de forma bem clara: ele não conhece mais a América de verdade. Não sabe o que é o MySpace, não sabe quem é Paris Hilton, não assiste o American Idol. Não sabe que os americanos não querem mais uma figura leal ao seu país, pois rejeitam o idealismo que ele representa.

Fora isso, o patriota americano de hoje não é mais tão orgulhoso de si como antes. Principalmente por conta da política internacional do presidente 'pára-trânsito' George W. Bush e suas ofensivas contra países orientais. Nunca um homem foi tão impopular na presidência americana. Por isso, o que uma figura como o Capitão América estava fazendo ainda vivo?

_marvel e a realidade
Para os fãs dos quadrinhos, a morte dele significa a perda de boas histórias. Especialmente agora que a dupla Ed Brubaker e Steve Epting dava um fôlego novo e interessante ao personagem. Mas é a Marvel, a editora cujo universo é o mais próximo da realidade, cujos heróis geram muita identificação.

Stan Lee sempre pensou assim, desde que criou o Homem-Aranha: um moleque que podia escalar paredes mas tinha problemas com namoradas. Quem não se identificaria? Sendo assim, quem, ainda hoje, se identificava com o Capitão América? O personagem Steve Rogers já tinha se tornado uma figura pré-histórica.

Por conta disso, a morte do Capitão nada mais é do que a conseqüência natural da mudança de valores dos americanos. Um espelho do panorama atual: um país desiludido e desequilibrado na balança política mundial, digerindo muito mal uma paranóia de medo e insegurança.

_aos leitores da hq
Voltando à saga, o episódio catastrófico ocorrido em Civil War foi a gota d'água para os EUA [dos quadrinhos], que definem uma lei de registro pra todos os super-heróis. Com isso, o herói registrado trabalhará somente para o governo e revelará sua identidade secreta publicamente.

A lei rachou ao meio os heróis da Marvel: de um lado ficaram os pró-registro, liderados pelo Homem de Ferro e sua busca pela legalização da categoria; do outro, os anti-registro viraram foras-da-lei, liderados pelo Capitão América. Sim, isso mesmo. O Azulão lidera o grupo que prega a liberdade de expressão e atuação dos heróis.

Ao fim da saga, o grupo dos pró-registro vence com a rendição do Capitão América. Incrível, não? O Capitão percebe que o povo americano prefere o registro e se entrega.

Na última edição da história, ao ser levado ao tribunal, em NY, o herói é baleado no estômago e declarado morto ao chegar ao hospital. A edição termina com o corpo de Steve Rogers na maca – um olho sem vida, o braço caído para o lado.

Parece que não havia momento melhor para matar o Capitão. E a Marvel percebeu isso.

_morte nos quadrinhos
Geralmente, a morte nas histórias em quadrinhos não é algo a ser levado muito a sério. Vide o Superman, por exemplo.

Talvez o Azulão até volte, já que esta é a quarta morte dele nos quadrinhos. De qualquer forma, essa morte pode trazer um personagem bem diferente. É quase uma metáfora bem aplicada ao 11 de Setembro: o bom soldado, o símbolo do correto, foi morto algemado e detido pela polícia. Não existe razão.


_leia também

Clique aqui para ver a supercobertura que a mídia internacional fez sobre a morte do personagem.
Nessa matéria do Omelete você fica por dentro da polêmica especulação em torno do possível substituto para o Capitão América.

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