Grandes Bandas que o Mundo Esqueceu - Montrose

Sammy Hagar novinho, novinho.
Meus amigos... isso sim é um belo solo de guitarra do tipo que não se faz mais.
O Iron Maiden coverizou essa canção duas vezes. A primeira com Dianno em 81 e a segunda com o Bruce em 83.

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Montrose - Biografia
Por Paulo Haroldo

Ronnie Montrose nasceu em 29.11.47 em Denver, Colorado, e antes de montar sua própria banda - Montrose - trabalhou como músico de estúdio para grandes nomes do rock, no início dos anos 70. Nessa época, já residindo em San Francisco/CA, participou do disco Gandharva, de Beaver and Krause. Em seguida, passou um ano acompanhando Van Morrison, com quem gravou Tupelo Honey (71) e Saint Dominic's Preview (72). Depois de rápida passagem junto à banda de Boz Scaggs, Montrose integrou, durante um ano, o grupo de Edgar Winter, com quem gravou They Only Come Out At Night no final de 1972, como guitarrista solo. Com a vendagem platinada deste disco, Montrose foi convidado para ser o guitarrista líder do Mott The Hoople, mas preferiu montar sua banda.

Montrose foi formada em 1973 com Bill Church no baixo (que tocara ao lado de Ronnie no grupo de Van Morrison), Denny Carmassi na bateria, e um jovem e promissor vocalista californiano: Sammy Hagar. No final daquele ano, essa impecável banda lançou o LP homônimo que, se não atingiu altos postos nos charts americanos (não ficou entre os 100 primeiros, atingindo o 43º lugar na Inglaterra), influenciou bastante o rock da época. Pesado, lotado de riffs, e produzido por Ted Templeman (Van Halen, Doobie Bros., Aerosmith e Eric Clapton, entre outros) Montrose foi além do hard rock, tornando-se um protótipo do gênero que viria a ser chamado de heavy metal. Seus destaques são "Space Station Nº 5", "Bad Motor Scooter", "Make It Last" e "Rock Candy", que até hoje é tocada nos shows de Sammy Hagar. Na esteira desse que viria a ser considerado um dos melhores "debuts" do rock, Montrose lançou, em 1974, o 2º LP: Paper Money.

Paper Money já trazia as indefectíveis baladas de Sammy Hagar, mas uma insuperável cover dos Stones, "Connection". Apesar da capa horrível, o disco continha o mesmo power rock do 1º LP, destacando-se "I Got The Fire" (com um vigoroso solo de guitarra) e "Spaceage Sacrifice". A principal mudança neste disco, porém, foi a substituição de Bill Church por Alan Fitzgerald, que mais do que tocar baixo, adicionou o som dos sintetizadores ao estilo da banda. Depois da turnê de lançamento, Ronnie resolveu demitir Hagar, pelos tradicionais problemas de ego entre guitarrista-dono-da-banda e cantor-querendo-aparecer (alguém se lembrou de Jeff Beck x Rod Stewart?). Dizem as más (mas não necessariamente cínicas) línguas que Hagar tinha aspirações a ser também guitarrista solo, com o que não Ronnie não suportaria. De qualquer modo ambos são amigos até hoje - inclusive Ronnie participou do disco solo de Hagar de 1997 (Marching To Mars), com a formação original do Montrose, regravando "Rock Candy". Sammy Hagar virou vocalista do Van Halen136 (onde desenvolveu um estilo mais estridente do que fazia no Montrose), sendo substituído pelo desconhecido Bob James.

Para o lançamento de Warner Bros. Presents Montrose!, em outubro de 1975, Ronnie recrutou o tecladista Jim Alcivar, para deixar Alan Fitzgerald somente no baixo. Alcivar mudou decisivamente o som da banda, tirando o peso característico. O resultado foi a presença cada vez mais reduzida do hard rock (como a boa "Black Train"), em função das baladas (como a ótima "All I Need"). Bob James não era mau vocalista, pelo contrário, mas sem dúvida a banda se ressentiu da saída de Sammy Hagar, que era bem mais carismático, na voz e no palco. Este 3º disco alcançou o 79º lugar na parada americana.

No ano seguinte Montrose caprichou na capa, trocou Fitzgerald (que foi acompanhar Hagar) por Randy Jo Hobbs e lançou Jump On It, disco repleto de baladas açucaradas - algumas boas, como "Music Man", "Crazy For You" e "Merry-Go-Round". O som da banda já se mostrava totalmente desfigurado, e com o fracasso comercial (não ficou nem entre os 100 mais vendidos nas paradas americanas), Ronnie resolver desmanchar o grupo.

Com um estúdio caseiro completo, e afeito a experimentações, Ronnie partiu para a carreira individual lançando um excelente LP em janeiro de 1978, Open Fire, bastante elogiado pela crítica. Totalmente instrumental, Open Fire contou com os teclados de Edgar Winter e marcou o início de uma nova era na carreira de Ronnie, que passou a flertar com experimentalismos eletrônicos e jazz fusion, chegando a dividir shows com Allan Holdsworth. Paralelamente, participou de álbuns de amigos, como Gary Wright (Dream Weaver) e Dan Hartman (Images). Entretanto, Open Fire não vendeu bem, e Ronnie decidiu montar nova banda de rock.

Em 1979 Montrose recrutou Alcivar e Fitzgerald (que estava no Night Ranger), além de Skip Gillette na bateria e James Dewar para os vocais. Dewar, que não queria deixar a banda de Robin Trower, indicou Davey Pattison, que foi aprovado. No final daquele ano foi lançado o primeiro disco do GAMMA (GAMMA 1), recheado de bom hard rock, com sonoridade bem oitentista. Para o segundo LP do GAMMA (GAMMA 2), de 1980, voltou Carmassi, que estava no Heart, e Glenn Letsch substituiu Fitzgerald. Em março de 1982 sairia GAMMA3, com a subseqüente dissolução da banda e o ingresso de Pattison no grupo de Robin Trower. Registre-se que em 1998 foi editado um cd chamado GAMMA Concerts Classics, à revelia de Ronnie e totalmente repudiado por ele, onde até nomes de músicas saíram trocados.

Ronnie voltou então a se dedicar aos experimentos sonoros em seu estúdio caseiro, lançando em 1986 o LP instrumental Territory. Como experimentalismos em geral não dão dinheiro pra ninguém - no máximo status - Ronnie chamou Glenn Letsch e, com James Kottak na bateria e Johnny Edwards nos vocais, ressuscitou o Montrose, lançando em 1987 o obscuro Mean. Pouco inspirado e mal distribuído pelo selo Enigma, Mean passou em brancas nuvens, levando nosso axeman a enveredar novamente por suas experiências pessoais. Edwards foi para o lugar de Lou Gramm no Foreigner e Kottak rumou para o Kingdom Come.

De volta ao estúdio caseiro, Ronnie lançou 4 discos instrumentais seguidos, The Speed Of Sound (89), The Diva Station (90), Mutatis Mutandis (91) e Music From Here (94), todos com qualidade artística variável, destacando-se aí The Diva Station (principalmente nas faixas "Quid Pro Quo" e "Stay With Me Baby", cover dos Walker Bros.). Em 1995 iniciou uma parceria com o projeto Anti-M, de rock eletrônico, em cujos discos tocou em diversas faixas. Em 1996 finalizou a trilha sonora para o video game Mr. Bones, da SEGA, projeto exaustivo que lhe consumiu dois anos, mas que no final o deixou satisfeito. Mr. Bones conta as peripécias de um esqueleto que adora guitarras, e a trilha contém algumas faixas inclinadas para o blues. Vale a pena escutar.

Em 1998 Ronnie tocou ao vivo com o guitarrista Marc Bonilla - com quem já havia gravado no início dos anos 90 - dividindo o palco com Glenn Hugues e Keith Emerson. Individualmente lançou um disco ao vivo (Roll Over And Play Live!) e outro de estúdio, acústico e instrumental, chamado Bearings, ambos em 1999.

Para felicidade de seus fãs mais renitentes, Ronnie reuniu uma vez mais o GAMMA e lançou, em 2001, GAMMA4, com a formação original, mais Edward Roth nos teclados. Agora, boatos dão conta de que nosso guitar hero está planejando nova aparição do Montrose. Pode ser, afinal, os tempos mudam, os cabelos de Ronnie já se foram, a guitarra mudou de Les Paul para Fender Strat, mas a veia rock'n'roll é sempre a mesma.

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