Manifestantes da oposição e seguidores de Mubarak entram em choque no Cairo

CAIRO - O governo do Egito rejeitou nesta quarta-feira os pedidos da comunidade internacional para uma transição imediata de poder, em meio aos protestos contra o regime de Hosni Mubarak. O presidente anunciou, na noite de terça-feira, que não concorrerá a um novo mandato nas eleições de setembro , pondo fim a 30 anos de poder, mas os protestos continuaram. Manifestantes da oposição e seguidores de Mubarak não atenderam ao pedido do Exército para restaurar a normalidade no Egito e se enfrentam desde a manhã desta quarta-feira (início da tarde no horário local), quando os dois grupos realizavam atos na mesma região da capital. O confronto com pedras e paus deixou vários feridos. No início da noite, quatro coquetéis molotov foram lançados no local. ( Assista acima a vídeo do choque - áudio em inglês)

"Rejeitamos os pedidos dos governos estrangeiros para um período de transição iniciado imediatamente' no Egito", disse em comunicado o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Hossam Zaki, afirmando que tais pedidos "buscam inflamar a situação interna no Egito".

O líder da oposição Mohamed ElBaradei pediu que o Exército intervenha e proteja a população. Partidários de Mubarak romperam um cordão da oposição na Praça Tahrir, ponto principal das manifestações anti-Mubarak que atraíram centenas de milhares de pessoas no dia anterior.

Quando os seguidores de Mubarak rasgaram cartazes que denunciavam o líder do governo se deu o confronto físico. Várias pessoas foram flagradas quebrando o chão da praça para se armar com pedras. Segundo a al-Jazeera, os manifestantes pró-governo usam roupas civis e coletes à prova de bala.

O confronto entre manifestantes no Cairo - AP

Imagens da CNN mostraram manifestantes a cavalo cruzando uma multidão de oposicionistas. Dois deles foram derrubados e agredidos violentamente. Camelos também estão sendo usados para abrir caminho entre a massa de manifestantes.

Já os líderes da oposição, incluindo o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei e o grupo radical Irmandade Muçulmana, afirmam que só negociam depois que Mubarak abandonar o poder. No discurso de terça-feira, entretanto, o ditador disse que o seu governo sobreviverá até setembro, mas que encaminhará a transição de forma pacífica.

O Globo Online

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