'É situação terrível de desespero e dor', diz ministra sobre tragédia no RS

Primeira autoridade do governo federal a desembarcar em Santa Maria (RS) após o incêndio que matou mais de 200 pessoas em uma boate neste domingo (27), a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, classificou a tragédia de uma "situação terrível de desespero e dor".

"É uma situação terrível de desespero e dor. Em uma tragédia como essa envolvendo jovens é impossível que cada pai e mãe do país não sinta um forte impacto, diante da dor dos pais que não terão seus filhos em casa essa noite", afirmou a ministra em entrevista ao G1 por telefone.

Rosário relatou que a presidente Dilma Rousseff determinou ainda na manhã deste domingo que fosse mobilizada uma força-tarefa, composta por servidores federais e autoridades estaduais, para prestar apoio às vítimas e aos familiares.

Por ordem de Dilma, disse Rosário, uma equipe de técnicos e peritos federais viajará nesta tarde de Brasília para o Rio Grande do Sul para auxiliar nos trabalhos de identificação dos mortos.  O grupo será coordenado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.

No primeiro momento, enfatizou a titular dos Direitos Humanos, a prioridade das autoridades públicas é o atendimento às vítimas e a identificação dos mortos. Em uma segunda etapa, serão investigadas as causas do incêndio e as responsabilidades pelo incidente. A apuração criminal ficará sob a responsabilidade da polícia gaúcha.

Rosário, que é gaúcha, viajou para Santa Maria na manhã deste domingo na companhia do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. O chefe do Executivo gaúcho é natural da cidade onde ocorreu o incêndio sem precedentes no estado.

Antes de embarcar para Santa Maria, município que fica a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre, Rosário conversou por telefone com Dilma. Direto de Santiago do Chile, onde participava de uma cúpula de países latino-americanos e europeus, a presidente orientou que todos os ministros ficassem de prontidão para ajudar no socorro e atendimento às milhares de pessoas que estavam na boate Kiss durante o incêndio.

A chefe de Estado brasileira também determinou, relatou Rosário, que as unidades das Forças Armadas lotadas em Santa Maria fossem acionadas para prestar auxílio médico e logístico. Ainda de acordo com a ministra, Dilma também ordenou que os servidores da Universidade Federal de Santa Maria se envolvessem na operação.

Conforme Rosário, assistentes sociais e psicólogos foram destacados para acompanhar os familiares no momento da identificação dos mortos. Algumas vítimas fatais foram identificadas com o auxílio dos documentos que elas portavam junto ao corpo na hora da tragédia.

Dilma deixou às pressas a cúpula sediada no Chile e se dirigiu para a cidade do interior do Rio Grande do Sul. A presidente desembarcou em Santa Maria por volta das 14h para comandar in loco as medidas que cabem ao governo federal.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que estava em São Paulo quando a informação do incêndio veio à tona, também se deslocou para o Rio Grande do Sul para auxiliar na coordenação dos trabalhos de atendimento médico às vítimas.

O caso
A polícia e o Corpo de Bombeiros ainda trabalham no local em busca de mais informações sobre as circunstâncias da tragédia e para retirar corpos da área.

O número de pessoas que estavam na boate no momento do incêndio ainda não foi confirmado pelas autoridades. A festa reunia estudantes da Universidade Federal de Santa Maria, dos cursos de Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e dois cursos técnicos.

Segundo informações preliminares, o fogo teria começado por volta das 2h30, depois que o vocalista da banda que se apresentava fez uma espécie de show pirotécnico, usando um sinalizador. As faíscas teriam atingido a espuma que faz o isolamento acústico no teto do estabelecimento e as chamas se espalharam.

O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Segundo o Corpo de Bombeiros, a boate estava com o alvará vencido.





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