Gigantes da ópera, Wagner e Verdi fariam 200 anos em 2013; Folha celebra com enquete

Entre um e outro, ambos. No ano dos bicentenários de nascimento dos antípodas da ópera do século 19, teatros de todo o mundo festejam com igual intensidade a memória do italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) e do alemão Richard Wagner (1813-1883).

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A bem da verdade, ambos já estavam representados de modo equânime e generoso nas temporadas líricas ao redor do planeta, independentemente de efemérides.

Em dezembro do ano passado, porém, quando o maestro Daniel Barenboim resolveu abrir a temporada 2012/13 do maior templo italiano da ópera, o Scala de Milão, não com uma ópera de Verdi, mas com "Lohengrin", do alemão, a balança parecia pender a favor dos wagnerianos.

Basta, contudo, lançar um rápido olhar para a programação do próprio Scala, do Festival de Salzburgo (Áustria) e de teatros como o Metropolitan, de Nova York, e o Covent Garden, de Londres, para perceber que há uma preocupação em equilibrar as obras-primas de ambos os compositores.

Tal equilíbrio também chega ao Brasil. John Neschling programou "Aida", de Verdi, para sua primeira ópera no Theatro Municipal de São Paulo, em agosto, mas agendou para novembro "O Ouro do Reno", de Wagner.

A temporada do Municipal do Rio de Janeiro, sob direção do maestro Isaac Karabtchevsky, ainda não foi anunciada, porém rumores dão conta de que também por lá haverá uma "Aida", contrabalançada por uma wagneriana "A Valquíria".

No Festival Amazonas de Ópera, em Manaus, deve ser encenado "Un Ballo in Maschera", do compositor italiano, e "Parsifal", do alemão.

Já o Festival de Ópera do Theatro da Paz, que ocorre em Belém (PA), terá "Il Trovatore", de Verdi, e "O Navio Fantasma", de Wagner.

Assim, não surpreende que, na enquete que a Folha fez com 26 críticos, pesquisadores, regentes, diretores de cena e cantores, perguntando qual dos dois era seu compositor favorito, a maioria tenha optado pelo empate.

SURPREENDENTE

Mais da metade dos votantes preferiu não colocar um dos compositores bicentenários acima do outro.

Dentre os 14 que optaram pelo empate, há os maestros Neschling, Karabtchevsky, Ira Levin e Fabio Mechetti, além dos cantores Paulo Szot, Adriane Queiroz e Martin Muehle.

Uma resposta "sui generis" foi a do compositor Flo Menezes, que preferiu apontar como seu predileto um terceiro autor de óperas: o italiano Giacomo Puccini (1858-1924).

Editoria de Arte/Folhapress

Entre os que fizeram uma escolha, a vitória foi de Wagner, com oito votos a quatro --um resultado que não deixa de surpreender, devido à ligação histórica da música brasileira com a ópera italiana desde os tempos coloniais.

A trupe wagneriana tem dois compositores (João Guilherme Ripper e Leonardo Martinelli), três diretores cênicos (André Heller-Lopes, Caetano Vilela e Felipe Hirsch) e três críticos: Nelson Rubens Kunze, João Batista Natali e Sidney Molina (os dois últimos da Folha).

Já Verdi foi escolhido pelos diretores de cena Cleber Papa e Iacov Hillel, pelo maestro Carlos Moreno e pelo pesquisador de história da ópera Sergio Casoy.

Em comum, ambos os "partidos" têm os elogios respeitosos que tecem a seus "oponentes", bem como a paixão com que defendem suas escolhas.

O diretor de teatro Felipe Hirsch, por exemplo, optou por Wagner afirmando: "ouvi a abertura de 'Tannhauser' muito novo e nunca me recuperei".

Cleber Papa, por outro lado, afirma que levaria a música de Verdi para uma ilha deserta e "se acabassem as pilhas, continuaria assobiando e cantarolando a maioria de suas composições".

RICHARD WAGNER
8 votos na enquete

VIDA
- Nasce em Leipzig (Alemanha), em 22.mai.1813 . Morre em Veneza (Itália), em 13.fev.1883
- Após casos amorosos escandalosos e fugas de credores, recebeu do rei Ludwig 2º apoio para encenar suas óperas ambiciosas

POLÍTICA
- Envolveu-se com a Revolução de 1848, na Alemanha (revolta contra o regime autocrático que governava os Estados independentes); sua adoção póstuma pelo nazismo é causa de controvérsia até hoje

TRAÇOS ESSENCIAIS
- Revolucionou a música com uma linguagem harmônica ousada e exploração inusitada dos recursos orquestrais

CINCO ÓPERAS FUNDAMENTAIS
- "Lohengrin" (1850) - Adaptação de conto do séc. 10 sobre o resgate de uma donzela
- "Tristão e Isolda" (1865) - Enredo trágico de amor entre um cavaleiro e uma princesa
- "Os Mestres Cantores de Nuremberg" (1868) - Sobre grupo de cantores no séc. 16
- "O Anel do Nibelungo" (tetralogia) (1876) - Óperas inspiradas em lendas nórdicas
- "Parsifal" (1882) - Sobre a busca pelo Santo Graal

GIUSEPPE VERDI
4 votos na enquete

VIDA
- Nasce em Roncole (Itália), em 10.out.1813. Morre em Milão (Itália), em 27.jan.1901
- Começou a carreira compondo óperas em escala industrial para, a partir da década de 1850, concentrar-se em projetos pessoais, recebendo encomendas de casas de ópera do mundo todo e musicando peças de dramaturgos como Shakespeare

TRAÇOS ESSENCIAIS
- Tinha domínio do tempo dramático e capacidade de caracterizar personagens e situações por meio da música

CINCO ÓPERAS FUNDAMENTAIS
- "Rigoletto" (1851) - Sobre um corcunda em meio a jogos de sedução na nobreza
- "La Traviata" (1853) - Romance entre cortesã e rapaz de família
- "Aida" (1871) - No Egito Antigo, escrava vive amor proibido
- "Otello" (1887) - Inspirada na obra homônima de Shakespeare
- "Falstaff" (1893) - Narra as aventuras do fanfarrão personagem de Shakespeare




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