História do Carnaval - Parte 01

E mais uma vez, o Carnaval toma as ruas do nosso país.
Para alegria dos que o amam e desespero dos que odeiam...
Aproveito então para falar um pouco da história do Carnaval. Aqui no Brasil costuma-se ter uma idéia errada do Carnaval. Muitos odeiam as festividades por motivos políticos, econômicos, religiosos e étnicos. Não é dificil encontrar, principalmente na net, jovens (e não tão jovens) alegando que o Carnaval é o ópio do povo, que é festa de pobre, favelado (para não dizer festa de negros), ou seja, o Carnaval como o grande espétaculo que se tornou em nosso país, se torna alvo fácil de críticas e receptáculo das decepções e preconceitos de muita gente. Alguns odeiam o Carnaval apenas por não suportar a alegria dos demais.
Aquele que odeia a festa porque ela é coisa de 'povinho', de 'gentalha', de 'africanos' realmente precisa ler mais sobre a festa. Pasmem, mas o Carnaval é EUROPEU! Existem muitos carnavais no mundo, talvez os mais conhecidos sejam o de Veneza e o de Nova Orleans. O nosso é apenas mais um deles. É uma festa bonita, cheia de significados (diferentes, é claro, dependendo dos costumes de cada região). Uma tradição quase tão antiga quanto a humanidade pois está vinculada aos rituais de fertilidade. Sempre digo que antes de criticar algo você deve conhecer que o está criticando. Então antes de sair jogando pedras na Geni, ops, na Colombina, que tal conhecer um pouco dessa história incrível?

O Carnaval Originário

(Do IV milênio a.C. ao século VII a.C.).

O Carnaval Originário tem como marco inicial a criação dos cultos agrários e, como ponto final a oficialização das festas a Dioniso, durante o reinado de Pisistrato na Grécia, de 605 a 527 a.C.

O PRIMEIRO CENTRO DE EXCELÊNCIA DO CARNAVAL

O Primeiro Centro de Excelência do Carnaval se localiza no Egito. É o modelo mais simples de carnaval e consta de danças e cânticos em torno de fogueiras, incorporando-se aos festejos, máscaras e adereços e, à medida que as sociedades evoluem para a divisão de classes, orgias e libertinagens (na acepção de liberdade, culto ao corpo, ao belo humano). Os festejos logo se ligam a totens e deuses ( é importante e relevante lembrar que o fogo, água, terra e o ar entram em conjunção com as forças vitais sobre as quais repousam o universo).

Ast, ou Ísis (em grego)
Deusa da fertilidade, do amor e da magia.

As Origens

As origens do Carnaval são obscuras e longínquas. Sua memória vem do inconsciente coletivo dos povos. Não temos como comprovar cientificamente o nascimento do Carnaval, entretanto, baseados em pesquisas da história da evolução do homem deduzimos que os primeiros indícios, do que mais tarde se chamaria Carnaval, surgiram dos cultos agrários ao tempo da descoberta da agricultura. Esclarecemos, ainda, que há dúvida quanto a data da descoberta da agricultura. Sabemos, no entanto, que o surgimento da agricultura só ocorreu após o final da última glaciação da Terra, há, aproximadamente, 10.000 anos a.C., quando melhores condições climáticas fizeram surgir nos lugares das imensas e inóspitas geleiras, bosques e pradarias, ricas em recursos animais e vegetais. O novo ambiente da Terra fez com os humanos saíssem das cavernas para os campos. Livres da predação dos grandes animais, desaparecidos, os homens evoluíram para domesticação e criação dos animais e cultivo dos vegetais (sedentarização).

Favorecidos pelos humos (ou limo) que deixavam extremamente fértil as terras irrigadas pelo rio Nilo, teriam sido os povos que, primitivamente, habitavam suas margens e que a partir de 4000 anos a.C. evoluíram para as unidades políticas chamadas “Nomos”, os verdadeiros criadores da agricultura e dos cultos agrários. O homem começou a entrar no reino da utopia através da comemoração. No momento da festa se desligava das coisas ruins, que concretamente tinham ido embora (o inverno que o prendiam aos abrigos) e saudava o que lhe parecia um bem ( a entrada da primavera, o término das enchentes do rio Nilo, o nascer e o pôr do sol), com danças e cânticos para espantar as forças negativas que prejudicavam o plantio.

Ísis Romana

Principais Cultos Agrários

- No Egito, festa da Deusa Ísis e do Boi Apís.
- Na Pérsia, festas da deusa da Fecundidade Naita e de Mira, deus dos Pastores
- Na Fenícia, Festa da deusa da Fecundidade Astarteia.
- Em Creta, festa da Grande Mãe, deusa protetora da terra e da fertilidade, representada por uma pomba.
- Na Babilônia, as Sáceas, festas que duravam cinco dias e eram marcadas pela licença sexual e pela inversão dos papéis entre servos e senhores, e pela eleição de um escravo rei que era sacrificado no final da celebração.

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