Televisão de altíssima resolução tem imagem 16 vezes mais nítida

A televisão do futuro, com imagens 16 vezes mais nítidas do que as vistas atualmente em uma tela, com resolução altíssima, de 8K, foi testada no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. O resultado é a sensação de se estar ali, junto, dentro do evento.

De um laboratório, está saindo o futuro da televisão. Pertence à NHK, a emissora pública japonesa que, desde 1930, pesquisa tecnologias que tornam a TV uma janela cada vez mais perfeita para o mundo.

A nova invenção que está saindo de lá se chama ultra alta-definição em 8K. Em uma TV gigantesca, de 145 polegadas, é possível ver como as imagens ficam fantásticas. A principal diferença é ter mais pixels, pontos de luz que formam a imagem, do que qualquer outro aparelho.

A TV convencional tem 720 por 480 pixels. A de alta definição tem 1.920 por 1.080 pixels. As de ultra alta-definição em 4K, as mais avançadas vendidas hoje, têm quatro vezes mais pixels que as TVs de alta definição, enquanto as de 8K têm 16 vezes mais. São 33,2 milhões de pontinhos para formar a imagem.

Masayuki Sugawara, engenheiro-executivo do laboratório, explica que, com essa tecnologia, é possível construir TVs muito maiores sem perder a qualidade da imagem. "Imagens altamente nítidas projetadas em telas grandes dão a sensação de que o telespectador está no local e vendo essas imagens com seus próprios olhos", diz.

Para captar imagens com tanta qualidade, foi preciso criar novas câmeras. Uma delas grava em 120 hertz. Para entender o que isso significa, veja a comparação.

Em um filme de cinema, as câmeras gravam 24 quadros por segundo. Em outras palavras, são 24 fotos por segundo que, quando projetadas, reproduzem o movimento. 120 hertz são equivalentes a 120 quadros por segundo, ou seja, cinco vezes mais do que a imagem vista em um filme.

O resultado é que a câmera capta o movimento com muito mais precisão e as imagens ficam mais próximas da realidade. Mesmo em telas do tamanho das de cinema, cada pequeno detalhe da imagem aparece com nitidez.

Além da imagem, a qualidade do som ajuda. A mesa de áudio tem 22.2 canais. Se você acha que o som dos filmes no cinema é o máximo, espere para ver e ouvir o que este equipamento é capaz de fazer.

O sistema convencional usa 5.1 canais. Com um número maior de canais, 22.2, o som vem de todos os lados. Assim, o espectador se sente envolvido tanto pela imagem quanto pelo som, como se estivesse no local onde aconteceu aquilo que aparece na tela.

"Nós usamos três níveis de alto-falantes. Nove alto-falantes no nível mais alto, dez no médio e três no nível mais baixo, além de dois para reprodução de graves. Usamos todos esses alto-falantes para reproduzir som em três dimensões. Assim, temos um áudio fantástico", diz o engenheiro Yuichi Kusakabe.

Os olhos orientais estão grudados nos monitores de imagens e nos instrumentos de medição da central de controle de mais uma gravação experimental da TV de ultra-alta definição em 8K. Desta vez, os japoneses da NHK levaram os seus equipamentos de última geração para a beira da Sapucaí.

No primeiro olhar, a única diferença parece ser o tamanho do equipamento e os olhinhos puxados dos cinegrafistas. Dentro de uma sala, está uma tela gigante de 86 polegadas da mais pura ultra-alta definição. É impossível sentar na frente dessa super TV sem ficar impressionado.

Mesmo as atuais TVs em HD são quase nada perto do que se vê nessa tela. Como ainda não dá para reproduzir na sua casa o que está aparecendo aqui, resta tentar explicar o que é visto.

A definição é tão perfeita que é possível escolher uma pessoa na multidão para encontrá-la e levá-la para ver as imagens. Em poucos minutos, Amanda e Maria Clara chegam à sala de projeção e se impressionam com o que observam.

Com toda essa qualidade, o engenheiro japonês Kohji Mitani acredita que, no futuro, a maneira de ver televisão vai mudar. "É como estar dentro da tela. Queremos que o telespectador sinta todo o entusiasmo e a atmosfera de um evento real, que tenha uma sensação de realidade", afirma Mitani.

Poderíamos chamar a nova tecnologia de televisão de imersão ou de realidade eletrônica. A verdade é que estamos vivendo mais um passo na evolução da nossa já bem conhecida janela para o mundo.

"Essa tecnologia está prevista a começar no Japão em 2016. Nós devemos ter aqui no Brasil uma experiência na Copa do Mundo no ano que vem e na Olimpíada, e vamos trabalhar muito a ideia de trazer tecnologia para o Brasil. Vai mostrar que a televisão continua evoluindo, e ela vai evoluir mais do que nós temos hoje, e nós temos que olhar e planejar para isso", diz Fernando Bitttencourt, diretor geral de Engenharia da TV Globo.




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